A virada do ano em Roraima entrou para a história não como uma celebração, mas como um episódio marcado por medo, abuso e revolta popular. Na madrugada do dia 31 de dezembro para 1º de janeiro, após o encerramento do show da virada com o cantor Leonardo, promovido pelo Governo do Estado, famílias inteiras foram surpreendidas pelo uso de gás de pimenta lançado pela Polícia Militar, mesmo sem qualquer registro de tumulto, vandalismo ou violência.
O que deveria ser o encerramento pacífico de uma festa pública transformou-se em cenas de pânico, com crianças chorando, pessoas passando mal e famílias desesperadas tentando fugir da nuvem de gás químico espalhada no local. Relatos apontam que a ação foi abrupta, sem aviso e completamente desnecessária diante de um público que permanecia de forma ordeira.
Fonte: Redes Sociais.
Vídeos gravados por participantes e amplamente divulgados nas redes sociais e em grupos de mensagens mostram o momento exato em que o gás é utilizado. Em um dos registros mais revoltantes, uma família afirma ter sido diretamente atingida e acusa o governador Antonio Denarium de ter supostamente ordenado ou autorizado o uso de força extrema para dispersar a população que ainda permanecia no local após o fim do evento.
“Não tinha confusão. Não tinha briga. Só tinha pai, mãe e criança esperando ir embora. Mesmo assim jogaram gás”, relata uma das vítimas, visivelmente abalada.
As imagens falam por si e expõem uma situação que muitos classificam como inaceitável, covarde e abusiva, sobretudo pelo fato de atingir crianças e pessoas vulneráveis.
A indignação tomou conta de Roraima. Moradores acusam o governo estadual de autorizar uma ação truculenta e desproporcional, levantando sérios questionamentos sobre abuso de autoridade e violação de direitos básicos. Para a população, não há qualquer justificativa plausível para o uso de agentes químicos contra cidadãos que não ofereciam ameaça.
Especialistas em segurança pública lembram que o gás de pimenta é um instrumento de controle usado apenas em situações extremas, quando há risco iminente à ordem ou à integridade física — cenário que, segundo testemunhas e vídeos, simplesmente não existia naquela madrugada.
O episódio aprofundou o sentimento de medo e desconfiança da população em relação ao Governo do Estado. Para muitos roraimenses, a ação simboliza um governo distante do povo, que responde com força onde deveria agir com diálogo e responsabilidade.
A pergunta que ecoa nas ruas e nas redes sociais é direta: quem autorizou o uso do gás e por quê? Até agora, nenhuma resposta convincente foi apresentada.
Até o fechamento desta matéria, o Governo de Roraima e o comando-geral da Polícia Militar permaneciam em silêncio, sem apresentar nota oficial que esclareça os motivos da ação ou negue a existência de ordem superior para a dispersão forçada da multidão.
Enquanto isso, a população segue indignada, cobrando apuração rigorosa, transparência e responsabilização, para que episódios como esse não se repitam e para que o direito de ir e vir do cidadão não seja tratado como caso de polícia.
A reportagem segue aberta para manifestação das autoridades citadas.

