Uma investigação inedita em andamento aponta para um dos maiores escândalos já registrados na saúde pública de Duque Bacelar (MA). Dados apontam que a gestão do prefeito Flávio Furtado pode ter sido beneficiada — e envolvida — em um esquema milionário de consultas médicas e exames clínicos falsos, que teriam servido para justificar repasses de verbas federais oriundas do chamado “Orçamento Secreto”.
Segundo documentos e levantamentos obtidos pela reportagem, o município registrou mais de 180 mil consultas médicas e milhares de exames clínicos, números absolutamente incompatíveis com a realidade local e que levantam forte suspeita de fraude sistematizada. As fraudes teriam ocorrido entre julho a dezembro de 2021, segundo informações preliminares mais de 60 mil exames de radiografias foram lançados e faturados no sistema de do SUS, Além de mais de 180 mil consultas com especialidades no mesmo periodo.

Duque Bacelar possui pouco mais de 10 mil habitantes, conforme dados oficiais. Porém, a produção de consultas e exames registrada pela gestão municipal alcançou índices que superam até mesmo cidades dez vezes maiores.
A disparidade chamou atenção de órgãos fiscalizadores e desencadeou uma investigação sobre a possibilidade de que esses números inflados tenham sido usados para justificar repasses milionários de recursos da saúde, inclusive verbas provenientes do Orçamento Secreto (RP9).
As investigações preliminares indicam que o suposto esquema em Duque Bacelar pode ter conexões diretas com redes de corrupção já desarticuladas pela Polícia Federal em outras cidades maranhenses, nas quais a produção fictícia de serviços de saúde era usada como base para justificar contratos, aumentar repasses e drenar verbas federais.
O nome do lobista Roberto Rodrigues de Lima — já investigado pela PF no escândalo do Orçamento Secreto — surge novamente como possível articulador ou facilitador no município. A suspeita é de que ele teria atuado como ponte entre operadores políticos e empresas contratadas pela gestão de Flávio Furtado.
No centro da apuração aparece, mais uma vez, a empresa JS Engenharia, contratada pela prefeitura e atualmente investigada pelo Ministério Público em outro procedimento que envolve supostos desvios de recursos públicos.
Embora formalmente registrada em nome de Francisco Eduardo Bezerra Viana, há indícios de que a firma possa ter funcionado como empresa de fachada, usada para escoar valores provenientes dos repasses federais vinculados à produção fraudada na saúde.
Fontes internas confirmaram que o Ministério Público do Maranhão está reunindo documentos, relatórios e cruzamentos de dados que envolvem diretamente a gestão do prefeito Flávio Furtado.
Os indícios apontam que o esquema teria beneficiado não apenas empresas contratadas, mas também operadores externos e possíveis articuladores políticos no orçamento, devido ao possível desvio de recursos que deveriam melhorar o atendimento médico no município.

A reportagem também solicitou recentemente uma Certidão Negativa de Procedimentos ao Ministério Público referente ao nome do prefeito Flávio Furtado, mas o documento foi negado devido ao fato de ele figurar como investigado em múltiplos processos.
Até o momento, não houve manifestação pública do gestor ou de sua assessoria sobre as denúncias envolvendo a saúde e as verbas do orçamento secreto

