O Ministério Público Eleitoral pediu a cassação do prefeito de Buriticupu, João Carlos Teixeira da Silva, e do vice, José Antônio Lisboa Mendes, por uso eleitoral de obras públicas sem origem declarada na disputa de 2024. Para o órgão, as iniciativas beneficiaram diretamente a chapa e comprometeram a igualdade do pleito.
A apuração identificou que dois poços artesianos inaugurados na zona rural não foram assumidos pela cidade nem pelo Estado. Mesmo sem responsável identificado, o prefeito participou das entregas e apresentou as obras como realizações próprias. Vistorias mostram que as estruturas estavam abandonadas no início de 2024 e foram concluídas e pintadas com as cores da gestão às vésperas da campanha. Moradores confirmaram a presença do prefeito, marido da deputada Edna Silva, e atribuíram a ele a solução do problema da água.
O parecer aponta envolvimento de servidores municipais, uso eleitoral explícito das obras e divulgação coordenada nas redes sociais. Para o MP, o conjunto dos fatos caracteriza abuso de poder político e econômico e justifica a cassação e a inelegibilidade por oito anos. O caso está nas mãos da Justiça Eleitoral.
A ofensiva contra a administração ocorre dias após o Gaeco deflagrar operação que investiga o desvio de cerca de 7 milhões de reais em recursos públicos, supostamente direcionados a uma empresa ligada ao prefeito por meio de assessores e familiares.

