INVESTIGAÇÕES PODEM EVELAR INDICIOS DA ATUAÇÃO DE UMA POSSIVEL E ESTRUTURADA ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA DIGITAL NA REGIAO SUL DO MARANHÃO.
Por: Leia Mendes – Jornalista
O avanço de crimes praticados por meio da internet tem acendido um alerta na Região Tocantina. De um lado, a jornalista Angra Nascimento Silva registrou boletim de ocorrência relatando ataques à sua honra, utilização indevida de sua imagem e perfis falsos que, segundo a narrativa apresentada à Polícia Civil, teriam sido usados para solicitar dinheiro a terceiros. De outro, há relatos divulgados por um apresentador de televisão de que empresários da região estariam sendo alvo de tentativas de extorsão e golpes praticados por meios digitais.
Embora uma eventual ligação entre os episódios ainda dependa de investigação oficial, a semelhança dos métodos descritos reforça a necessidade de uma apuração técnica aprofundada pelas autoridades especializadas em crimes cibernéticos.
No caso da jornalista Angra Nascimento, o Boletim de Ocorrência nº 00167368/2026 registra que ela afirmou ter sido alvo de vídeos ofensivos publicados em redes sociais, nos quais teria sido acusada de praticar extorsão contra prefeitos, além de sofrer ataques à sua reputação profissional e pessoal. O registro também relata que sua fotografia teria sido utilizada em perfis e números de WhatsApp para pedir dinheiro em seu nome, levando terceiros a acreditar que mantinham contato com a jornalista.

Segundo o boletim, uma transferência via PIX chegou a ser realizada por uma pessoa que acreditava estar tratando com a jornalista, fato que reforçou a necessidade de investigação sobre a utilização fraudulenta de sua identidade digital. O documento ainda menciona a informação de que outras pessoas poderiam ter sido induzidas ao mesmo erro.
Ao mesmo tempo, relatos públicos envolvendo empresários da Região Tocantina apontam para tentativas de obtenção de vantagens financeiras por meio de contatos eletrônicos e mensagens fraudulentas. Caberá às autoridades verificar, com base em provas técnicas, se esses fatos possuem alguma relação entre si ou se representam ocorrências distintas com métodos semelhantes.
A redação apurou que uma investigação conduzida por uma delegacia especializada em crimes cibernéticos pode reconstruir praticamente toda a atividade digital relacionada aos fatos, desde que observados os requisitos legais e obtidas as autorizações judiciais cabíveis.
Entre as diligências que podem ser adotadas estão: Preservação imediata dos registros eletrônicos pelas plataformas digitais; obtenção dos logs de acesso, datas, horários e endereços IP utilizados nas contas investigadas; identificação dos aparelhos por meio dos respectivos números IMEI; análise das linhas telefônicas utilizadas em cada dispositivo; cruzamento dos registros das antenas de telefonia (ERBs), permitindo verificar a localização aproximada dos aparelhos durante os acessos; perícia em celulares, computadores e mídias eventualmente apreendidos; rastreamento das movimentações financeiras, incluindo transferências via PIX; análise dos vínculos entre contas bancárias, perfis digitais, dispositivos e comunicações.
Nossa equipe continuará acompanhando o caso.
