O empresário Edilson Sebastião Abreu Machado, ex-gerente de TI da Secretaria de Estado da Educação do Maranhão, é apontado pelo Ministério Público como um dos integrantes do circuito financeiro investigado em torno do vice-governador Felipe Camarão.
Segundo o órgão, “Edilson e a ABREM, em conjunto, creditaram R$ 331.443,09” a Camarão, “em 23 transações, entre PIX e transferências”.
O relatório do Gaeco que fundamenta o pedido de afastamento do petista indica que Edilson manteve vínculo prolongado com a estrutura estadual. Ele ocupou cargo comissionado na Seduc “na função de gerente de TI, de janeiro/2015 a março/2024”.
No mesmo período, “em dezembro/2020, Edilson constituiu a ABREM TECHNOLOGY LTDA.”, empresa que, de acordo com o Ministério Público, “firmou contratações com o Governo do Estado em 2024 e 2025”.
Para os investigadores, a combinação entre função pública e atuação empresarial aponta para sobreposição entre a inserção funcional no Estado e a atividade privada com contratos públicos, além de movimentações financeiras em favor de Felipe Camarão.
A apuração também identifica indícios de custeio indireto de despesas. A análise do sigilo telemático da conta de e-mail do vice-governador registrou “DARFs e comprovantes em cadeias de e-mails, com quitações atribuídas a Edilson”, em comunicações nas quais Camarão aparece como destinatário ou em cópia.
Outro ponto destacado é a incompatibilidade entre renda e patrimônio. Apesar de remuneração formal de até R$ 7.628,66, o relatório aponta que o empresário reside em “condomínio de alto padrão” e possui “11 veículos em seu nome”.
Na avaliação do Ministério Público, o conjunto de elementos — que inclui vínculos com a administração, contratos públicos e transferências diretas — afasta a hipótese de participação periférica e reforça a conexão financeira entre Edilson e Felipe Camarão.

