Decisão da Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Maranhão indica que o casal Paulo Curió e Eva Curió estruturou um esquema de cooptação política que teria alcançado a totalidade da Câmara Municipal de Turilândia. Segundo o Judiciário, há indícios da existência de uma organização criminosa complexa, com atuação integrada nos núcleos político, administrativo, empresarial e familiar do município, voltada ao desvio sistemático de recursos públicos.
No voto, a relatora, desembargadora Maria da Graça Peres Soares Amorim, afirma que os gabinetes parlamentares teriam sido incorporados à engrenagem do grupo investigado, funcionando como sustentação política do esquema. De acordo com a decisão, valores desviados de contratos públicos eram distribuídos a vereadores em troca de apoio ao Executivo e da omissão deliberada da função fiscalizatória, permitindo a continuidade de fraudes em licitações, corrupção ativa e passiva, peculato e lavagem de dinheiro.
Para evitar reiteração delitiva e interferência nas investigações, a Justiça autorizou buscas e apreensões, quebras de sigilos bancário, fiscal e telemático, bloqueio de bens, sequestro de valores e prisões. As medidas atingem os vereadores Mizael Brito Soares, José Ribamar Sampaio, Nadianne Judith Vieira Reis, Daniel Barbosa Silva, Sávio Araújo e Araújo, José Luís Araújo Diniz, Gilmar Carlos Gomes Araújo, Josias Fróes, Carla Regina Pereira Chagas e Inailce Nogueira Lopes.
As decisões integram a Operação Tântalo II, deflagrada nesta segunda-feira (22) pelo Ministério Público do Maranhão, que avançou sobre o núcleo político e familiar responsável, segundo as investigações, por sustentar o esquema na Prefeitura de Turilândia entre 2021 e 2024. A apuração aponta o uso de empresas contratadas pelo município, como postos de combustíveis e prestadoras de serviços, para desvio de recursos, emissão de notas frias e lavagem de capitais. Além da prisão da vice-prefeita Tânya Mendes e de cinco vereadores, a investigação mira a ex-vice-prefeita Janaína Lima e seu marido, Marlon Serrão, apontado como operador financeiro do grupo. O prefeito Paulo Curió está foragido.

